SOL - Um Jornal que vale por si!?
Estrela anã branca: Uma estrela anã branca é uma estrela com massa semelhante à do nosso Sol, mas que já consumiu todo seu combustível nuclear, e implodiu
Enquadramento 1
Isto passou-se em Faro, capital de distrito.
8:00 – 1º Quiosque
Ao entrar, reparei que já tinham a edição do SOL. Disse à Sra. que queria o Expresso e o SOL. Diz-me a Sra. – “tem reserva do Expresso?”- “perdão?” (respondo) – “Sim, reserva. Só recebemos 27. Esses são todos para reservas já feitas.”. Tudo bem. Digo à Sra. que costumo comprar os jornais naquele quiosque e que nunca necessitei de fazer reserva. Assim, saí do quiosque dizendo que já não comprava lá os jornais.
9:00 – 2º Quiosque
Peço novamente o Expresso e o SOL. O Sr. responde-me – “O SOL ainda não chegou. Também, para aquilo que se vende…” – “então, vende-se pouco?” (pergunto) – “Recebo 50 exemplares. Desses, nem 20 chego a vender. De início, ainda era pela novidade, mas agora…”. Bem, comprei o Expresso, mas não desisti do SOL.
12:00 – 3º Quiosque
Finalmente comprei o SOL. No entanto, lembrei-me de perguntar – “Tem vendido bem? Quantos exemplares é que recebe?” – resposta – “Cerca de 40, mas desses, nem metade chego a vender. De início esgotaram-se porque era novidade, mas agora…”
Enquadramento 2
O jornal SOL, na página principal, tem a seguinte indicação “Um Jornal de vale por si. Este semanário não oferece brindes nem faz promoções”
Não sou entendido em Marketing, Publicidade, Jornalismo ou Economia. Assim, convido os entendidos nessas matérias a comentar as minhas seguintes afirmações:
1) Se não estou em erro, numa entrevista dada pelo Director do SOL, foi dito que se o Expresso precisava de recorrer à oferta de filmes, então, era sinal que algo estava mal. Aliás, esse facto foi também comentado em vários blogues.
Ora, na minha opinião, o Expresso fez uma boa campanha publicitária. Conheço pessoas que só agora, por causa destas ofertas, estão a tomar conhecimento e a ver esses filmes de oferta. Por 2.8€, tenho um jornal e um filme de borla, enquanto que o SOL, por 2.0€ não oferece nada.
2) Para um jornal que está a tentar marcar a sua posição no mercado, não me parece de bom-tom, a frase que colocam no topo da 1ª página. Dá a entender uma casmurrice do Director do SOL. Costuma-se dizer que “pela boca morre o peixe”. Assim para “sobreviver”, talvez o SOL ainda tenha que vir a recorrer a brindes ou ofertas.
3) O Expresso perde valor por recorrer a um golpe publicitário? Não me parece. O que me parece é que passada a euforia inicial, já muitos fizeram a sua opção e deixaram de comprar o SOL. Isso, sim, é um problema a analisar. Talvez a campanha de lançamento deste jornal não tenha sido das melhores.
4) No lançamento do jornal SOL, cito os seguintes comentários publicados no Jornal de Negócios: “«O ‘Sol’ pretende ser, numa perspectiva mais pessimista, o maior e mais influente semanário português dentro de três anos», promete Saraiva… O primeiro número estará à venda com 100 mil exemplares. A expectativa é ter uma média de 50 mil exemplares no fim do primeiro ano…»”. Pelo que me disseram nos quiosques que visitei, será que em 50.000 exemplares só se vendem 25.000?
5) Se o prazo estimado para “impor” este jornal é de três anos, então, ainda é muito cedo para pensar que tal não possa vir a acontecer. Espera-se que o Director do SOL tenha razão nas suas afirmações, pois nestas coisas, quem se lixa não é o mexilhão, mas sim, todos os profissionais que embarcaram neste projecto. Quando um projecto não tem viabilidade financeira….
Estarei enganado? Será este SOL uma estrela anã branca, que já gastou todo o seu impacto inicial?

3 Comentário(s):
Olá Mr. Anderson.
Bem... ainda não tinha pensado nisto tudo acerca do SOL, porque depois da primeira tiragem desisti de o comprar... não gosto do estilo do Expresso, quanto mais do SOL... Acho que este vai dar barraca...
Eu também não sou entendido em marketing, mas dvd's à borlix funciona quase sempre (comigo funcionou e aconselho vivamente o filme deste fds). Confesso que nunca li o Sol (nem o Expresso apesar de ele cá estar em casa algumas vezes). Penso contudo que o Expresso deu a estocada final no Sol. A oferta do livro dos livros por apenas mais uns euritos é de mestre. Nem que não seja para o pôr na mesma prateleira a impedir que os dvd's tombem...
Quando o Sol surgiu tinha como principal trunfo de marketing o facto de ser novidade. Paralelamente, surgiu numa altura em que havia um certo desencanto em relação ao Expresso. Com manchetes sensacionalistas e baratas como “1 em cada 10 portugueses são homossexuais” o Expresso estava a perder vários dos seus mais fiéis compradores. Por outro lado, havia um espaço a explorar: a “direita”.
O Sol tinha, assim, um bom mercado para explorar e espaço para vingar. Mas, em minha opinião, não o vai fazer. Na semana passada, o director do correio da manhã dizia que quando lia o Sol era como “começar a ler o expresso, passar pelo correio da manhã e acabar no 24 horas”. Concordo, em absoluto, com ele. O Sol não acrescenta nada de novo. Surgiu como uma ruptura e contra algo existente e assim vai permanecer.
Parabéns ao Expresso pela estratégia de marketing que empreendeu. É, no entanto, necessário, em minha opinião, que volte a ser o jornal sério e credível que foi durante muitos anos. A maior parte dos portugueses não quer outro semanário, quer o Expresso, mas o Expresso de outros tempos.
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