segunda-feira, outubro 23, 2006

A falácia da estatística.

Ando há algum tempo para desabafar sobre este assunto. O uso enganador da estatística. Trata-se na realidade de um instrumento de grande utilidade mas também pode ser usada com intenção descarada de mascarar números. Vou dar apenas um exemplo fictício, mas que aparece na comunicação social em cada minuto.

Quando a gripe das aves chegar a Portugal e a tv estiver ligada na TVI às 20h00 por mero engano ouve-se a seguinte notícia alarmante (com CAPS LOCK e tudo):

«O NÚMERO DE MORTOS PROVOCADOS PELO VÍRUS DA GRIPE DAS AVES AUMENTOU HOJE 100%.»

Desesperado vou a correr mudar para o canal 1 e ainda consigo apanhar a mesma notícia de abertura (sem CAPS LOCK aqui):

«O vírus da gripe das aves acaba de fazer a segunda vítima mortal em Portugal. Ainda está por confirmar a 100% se se trata do vírus H5N1.»

Ora ambas são verdadeiras, ambas contêm 100% na notícia, mas apenas uma delas dá valores absolutos, que a maior parte das vezes são essenciais para se ter uma noção do que está em causa. As notícias estão cheias de valores relativos que dão uma perspectiva que muitas vezes é enganadora face aos valores absolutos em questão. Porque é que nunca nos dão os valores exactamente como eles são?!

P.S Este post é da autoria de mais de 10% dos membros deste blog (moi même) e mais de 10% não o vão comentar pois nunca comentaram absolutamente nada.

3 Comentário(s):

At 10/23/2006 12:21:00 p.m., Blogger V andrade disse:

Eu não faço parte destes 10% portanto aqui vai o meu comentário...

Ainda esta semana, a propósito dos resultados da primeira sondagem sobre o referendo ao aborto, ouvi qualquer coisa do género "São as mulheres que votam a favor da legalização" quando a percentagem de votos a favor era de 46% para as mulheres e de 44% para os homens num universo de 1000 votantes. Fará sentido esta conclusão?

A manchete que, em minha opinião marcou a rendição total do Expresso ao sensacionalismo puro e duro, foi aquela que dizia "1 milhão de portugueses são homossexuais". E depois verificávamos que de não sei quantas mil pessoas inquiridas pouco mais de 3 centenas respondeu ao questionário (se não estou em erro nos números). Provavelmente respondeu quem está mais sensibilizado para a problemática da sexualidade. Fará sentido a manchete colocada?

São apenas alguns usos e abusos da estatística e isto para não entrar no campo científico, onde a estatística para além de ser mal utilizada é muitas vezes utilizada para servir os interesses dos "investigadores"...

 
At 10/23/2006 02:26:00 p.m., Anonymous Anónimo disse:

Bem... eu não percebo nada de estatística.... mas concordo em pleno com o post e com o que foi comentado... realmente faz-nos falta (e não só na estatística) a educação para os media... sabermos desconstruir notícias, números, publicidade, etc, é de extrema importância para o nosso dia-a-dia. Por vezes (se não numa maioria) deixamo-nos influenciar por coisas que não são totalmente verdade...

Mas é por essa e por outras que deixei de ver notícias e a maioria da TV...

 
At 10/23/2006 05:39:00 p.m., Blogger bluewater68 disse:

Como diz o meu sogro na sua enorme sapiência: "Não tenho estado cá!".
Mas isso já vocês sabem.
A primeira coisa que digo é que V andrade anda, diria, obcecada com esta questão do Aborto. Reparem que o 2º parágrafo é todo sobre essa questão.
Assim, volto a perguntar: Vai ser assim até ao referendo?
Quanto ao post, eu diria que estas questões de estatística sempre foram difíceis de dominar. Aliás, era um dos Cadeirões na faculdade. Tirava-se um 10 e já ficávamos todos contentes. Isto dos números é uma coisa muito difícil. Lembra-se do outro que dizia "É fazer as contas"?
Por exemplo, quando se fala de MAMAS, 20% do sexo feminino consegue perguntar coisas óbvias. No entanto, apenas 10% do sexo masculino consegue apresentar uma teoria concreta. Perante essa teoria, apenas 5% do sexo feminino consegue comentar e 90% do sexo masculino nem se atreve a responder.
Para terminar, gostaria de corrigir o "Porra" (prós amigos) e dizer que felizmente, a percentagem média daqueles que comentam é superior a 50%.

 

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