quarta-feira, outubro 25, 2006

O barco vazio

Olá a todos!

Quero partilhar convosco que sei que estou em falta com o nosso querido Blog... deve ter sido o Ferreira Melo que me pregou alguma praga, que comecei seriamente a trabalhar ;-)! Todavia, tenho vindo cá muitas vezes (mais que uma vez por dia), e tenho comentado alguns posts... Mas tenho o V andrade à perna, porque nunca mais coloquei um post!! Vejam lá... uma pessoa trabalha tanto e ainda exigem estas coisas de nós!... Enfim, não é que goste deste lufa lufa e desta sensação que o dia é interminável por um lado, e que por outro demora muito pouco tempo a passar... mas começa a ser um pouco difícil! Não obstante tento arranjar sempre algum tempo para ler qualquer coisa que me inspire... há uns dias encontrei o seguinte...

O barco vazio
"Quem dirige os outros, acaba confuso.
E quem se deixa dirigir, vive triste.
O ideal é não desejarmos influenciar os outros
Nem nos deixarmos influenciar por eles.
E viver com o Tao, naterra do grande Vazio.

Mesmo que tenha muito mau feitio,
um homem que atravessa um rio num barco
não se zanga se um barco vazio colidir com o seu.
Mas, se nesse barco estiver alguém,
Vai-lhe gritar que vire o leme.
E gritará outra vez se o grito não for ouvido
E começará a praguejar.

Porque há alguém dentro do barco.
Se o barco estivesse vazio,
Não gritaria nem ficaria zangado.

Se conseguirmos esvaziar o nosso barco,
Ao atravessar o rio do mundo,
Ninguém nos oporá.
Ninguém nos tentará fazer mal.”

(Chuang Tse)

Beijinhos!!

4 Comentário(s):

At 10/25/2006 09:53:00 p.m., Blogger V andrade disse:

Não concordo muito com este poema. Acho que o melhor da nossa vida é irmos enchendo o nosso barco, de pensamentos, de pessoas, de momentos, de cheiros, de paisagens. Esvaziar o barco é esquecer que temos um passado, um presente e um futuro. Ou será que estou a pensar mal?

 
At 10/26/2006 11:57:00 a.m., Blogger HRocha disse:

Devo confessar que sou um bruto em termos de poesia. E não me estou a comparar com um diamante. Portanto é natural que o que achei mais engraçado foi mesmo o nome do autor. Chuang Tse. Estou mesmo a ver a mãe dele a chama-lo quando era puto: "Ó Chuang Tse anda já cá à mãe". Estou mesmo a imaginar se ele vivesse no norte de Portugal a mãe a pronunciar o seu belo nome ao chamá-lo: "Ó Chuang Tse anda já cá à mãe, caral...!". Obviamente que o pai não teria problemas em pronunciar tão requintado nome ao chamá-lo: "Anda já aqui meu grande filho da p...!". Enfim estou a divagar. Não era nada disto que eu queria dizer. Quero falar da minha brutidade relativamente à poesia.

Andava eu no ciclo (era assim que se dizia antigamente, agora deve ser um nome requintadíssimo com pelo menos três palavras) e nunca tinha tido nenhuma nega. Era só boas notas nos testes. Até que recebi uma nega num teste de português que até me fez chorar de raiva! O dito teste consistia na análise de um poema. Ora pelo que a professora explicou posteriormente (nunca me convenceu) o poema versava sobre uma bela senhora que se matou por amor!!!! Quê? Matou-se por amor? Ainda hoje me custa compreender tal acto quanto mais naquela idade, que ao contrário dos dia de hoje, amor não era para homens de barba rija (barba que estavamos longe de ter). Tratei portanto de descrever numa bela prosa um crime hediondo, habilmente urdido, e só descoberto nas entrelinhas por mentes cheias de literatura policial como a minha (Agatha Christie era a leitura do dia). Pronto, estava borrada a pintura. Desde esse dia que a minha relação com a poesia não é das melhores (excepto com a poesia de Bocage).

 
At 10/26/2006 12:08:00 p.m., Blogger bluewater68 disse:

Eu cá sou muito 'brutamontes'.
Não leio livros, muito menos poesia.
Neste caso, não desmerecendo o poema, gostaria de ter escrito o post do 'porra'. Incluo-me perfeitamente na sua posição.
Bem hajas 'porra'.

 
At 10/26/2006 12:22:00 p.m., Blogger HRocha disse:

Obrigado Mr. Anderson. É bom saber que não tenho uma posição isolada.

 

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