"Dor de Cotovelo"

A este propósito gostaria de tecer alguns comentários…
Não gosto do Miguel Sousa Tavares. É arrogante, extremista e pouco moderado nas análises que faz e agressivo na forma como apresenta os seus pontos de vista. Por isso resisti a ler o seu best-seller “Equador”.
600 dias após ser pela primeira vez publicado e 375 críticas positivas depois decidi que tinha de deixar de lado o meus ódios de estimação e avaliar, com o meu próprio cérebro, as qualidades literárias da personagem em causa. Durante uma semana simplesmente devorei as 528 páginas do exemplar emprestado pela minha “ganda” amiga Carla, (um beijo daqui para ela porque, como diz o outro, sei que elas nos está a ver/ler). É um livro admiravelmente bem escrito, ao estilo Eça contemporâneo, ao qual é impossível ficar indiferente. A escrita fluente, límpida, rica em descrições mas sem ser maçuda, transporta-nos através do tempo, para o Portugal do final da monarquia e para as terras quentes e húmidas de um São Tomé ainda sob o jugo de uma escravatura encoberta mas real. A história, sublime, consegue-nos prender da primeira à última página. O final, para alguns a parte menos conseguida, para mim é um dos melhores momentos do livro. Sem querer ser exagerada, mas assumindo desde já o meu exagero apaixonado, este foi o livro que me fez acreditar novamente na literatura portuguesa.
Nada se cria no vazio. As histórias que os poetas e escritores inventam são inspiradas em factos reais, em personagens históricas, em histórias já escritas por outros autores, em acontecimentos auto-biográficos. É assim em todos os campos do saber e por isso também na arte. Esta acusação não tem qualquer fundamento, e resulta, em minha opinião, de uma dor geneticamente portuguesa que se designa por “dor de cotovelo”.

3 Comentário(s):
Ah! Pensei em publicar um post exactamente sobre isto...que giro! Também descobri a notícia logo de manhã! A minha desvantagem era não ter lido o livro e não o poder comentar pessoalmente como o fizeste! (é o primeiro da lista de espera nos "livros para ler depois de acabar o mestrado"...)
Apesar de tudo, não posso deixar de transcrever os comentários do MST no 24 Horas: "O meu comentário a tudo isso é o seguinte: bardamerda! É o que eu tenho a dizer.”“Ele que dê a cara que vai ver o que lhe acontece. Não há dúvida, caso se descubra quem é o autor, isto vai ser resolvido no tribunal e à paulada."
Se é "dor de cotovelo" ou não, não sei, mas gostava de ver a história explicada e desmontada...
ps-uma denúncia anónima também não é uma coisa muito bonita, nem muito honesta, mas... não sabemos o que estará por trás, que interesses servirá...Enfim!
Só posso comentar o segundo parágrafo deste post pois não li este livro. O aspecto maciço deste também não motiva...
Quanto ao segundo parágrafo tenho que discordar. Gosto imenso do MST. É arrogante, extremista e pouco moderado nas análises que faz, o que me agrada imenso visto coincidirem com as minhas. Além disso gosto dele por não ter pudor de dizer o que pensa quer em termos políticos quer em termos futebolísticos, sem nada ganhar em ambos os campos.
Gostei muito do livro... excepto do final... lê-lo foi frustrante. Quanto ao Miguel Sousa Tavares nada contra... admiro-o pela sua capacidade de análise e perspectiva. Relativamente à dor de cotovelo é habitual, não me surpreende.
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