'JAWS', ui que medo!

Ontem, ouvi a notícia que tinha sido capturado um tubarão-frade em Sesimbra. O peixe – sim, tubarão é peixe – media cerca de sete metros de comprimento e pesava umas 2,5 toneladas. Bom, antes que pensem que foi capturado à babuja por algum pescador com uma cana de fibra-de-vidro, convém dizer que a embarcação que o capturou, de nome ‘Sempre Coragem’ estava à pesca de peixe-espada preto, que se encontra a cerca de mil metros de profundidade.
Em relação a esta captura, o biólogo marinho Élio Vicente – especialista contactado para dizer qualquer coisa a este respeito – afirmou «…que não é vulgar encontrá-los a dois ou três quilómetros da costa…alimenta-se de pequenos animais marinhos e algas, "não oferecendo perigo nem para uma sardinha", lembrando que "não têm dentes e só filtram microrganismos"».
Assim, se uma criancinha com bóias nos braços fosse ‘aspirada’ por este descendente da pré-história, é porque tinha ocorrido um terrível erro de análise da parte deste, ao confundir a inocente com um bocado de plâncton. Na primeira imagem, podem observar um lindo exemplar ‘Cetorhinus maximus’ a alimentar-se. Se virem dentes, é favor contactar Élio Vicente.
Ao ouvir esta notícia, veio à memória uma espécie de trauma, à muito adormecido. Isto porque se falava de um hiper-tubarão e de Sesimbra. Passo a explicar.

No ano de 1975, é exibido no cinema o filme JAWS. Ora, sobre este aspecto estou bastante baralhado. Eu fui ver esse filme mas não consigo lembrar-me da minha idade nessa altura. Se o tivesse visto em 1975, eu teria 7 anos. Duvido no entanto que o filme fosse classificado para maiores de 6 anos. Assim, eu devo ter visto esse filme quando tinha 12 anos, em alguma reposição no Monumental – ou seria no Império?. Se a vossa memória for melhor que a minha, agradeço que me informem sobre a hipótese mais lógica.

Bom, o que está em causa é que a pobre da minha mãe, num acto de pura ingenuidade e talvez pensando que era um filme tipo National Geographic, lembrou-se de me levar a ver o JAWS. Sei que em algumas cenas tapei os olhos com as mãos, deixando sempre uma fresta para ver o sangue a espirrar. Durante o filme, mal ouvia a ‘péssima’ banda sonora, todo eu tremia – talvez ‘borrava-me’ fosse mais expressivo - a pensar que o danado do peixe ia aparecer para abocanhar a perna de mais um banhista incauto. Entretanto, nesse ano nós íamos de férias para Sesimbra. Quem é que dizia que eu era capaz de ir banhos nas águas geralmente calmas e óptimas para nadar daquela fantástica baia? Pois é. Até eu perceber que não iria ser atacado por algum tubarão branco naquelas águas geladas, ainda foi necessário passar bastante tempo.
Agora, ao me lembrar que costumava nadar para fora de pé, estou a crer que deveria ter 12 anos quando vi o filme.

Anos mais tarde, tendo ultrapassado o trauma inicial, através de VHS, DVD, Canal Hollywood e outros que tais, eu já perdi a conta às vezes que já revi este filme. Para mim, Steven Spielberg fez uma obra-prima no cinema deste género. Para que se saiba, O American Film Institute (AFI) elaborou a lista dos 100 melhores «thrillers» americanos de todos os tempos. O primeiro lugar foi para Alfred Hitchcock com «Psico». «Tubarão», de Steven Spielberg, e «O Exorcista», de William Friedkin, ficaram colocados no segundo e terceiro lugares, respectivamente.
Venceu nas categorias de "Melhor Banda Sonora", "Melhor Montagem" e "Melhor Som", tendo também sido nomeado na categoria de “Melhor Filme”.
Peter Benchley, autor do livro que deu origem ao filme, tinha em mente um elenco bem diferente, composto por Robert Redford, Paul Newman e Steve McQueen – só pelo elenco esta versão seria fantástica.

A verdade é que através do filme, a mensagem “o tubarão é uma fera assassina” foi tão forte que a fobia colectiva atingiu proporções nunca antes imaginadas.
No início da década de 60, na Austrália, houve uma série de ataques de tubarão-branco, tendo morrido três mergulhadores num curto espaço de tempo, criando um estereótipo de ‘assassino dos mares’. A fobia geral foi adensada em 1974, com o lançamento do livro “Jaws”, de Peter Benchley. Por fim, em 1975, o filme “Jaws”, de Steven Spielberg, baseado no livro anterior, conseguiu provocar a histeria completa. Como resultado, os tubarões-brancos passaram a ser considerados inimigos número um da sociedade sendo perseguidos e caçados impiedosamente. Apesar de seu tamanho e força, foram exterminados milhares e a espécie não conseguiu absorver o golpe. Ao se constatar que a espécie estava caminhando para a ameaça de extinção, em 1979, a África do Sul - seguida posteriormente pelos EUA e Austrália - foi o primeiro país a proibir a pesca do tubarão-branco e a implementar programas de protecção.
Por curiosidade, refiro ter lido que a probabilidade de se ser atacado por um tubarão é de cerca de 1/300.000.000
E como é de filmes e tubarões que se fala aqui, não posso deixar de mencionar um filme com uma abordagem completamente diferente dos restantes e cujo visionamento sugiro vivamente. Estou a falar do filme "Open Water" (2003) - Em Águas Profundas. É acima de tudo um filme extremamente perturbador e que nos consegue ‘incomodar’. Este projecto de Chris Kentis originou algum burburinho devido à não utilização de duplos ou efeitos especiais, colocando os actores à mercê dos tubarões que os circundavam.
Apesar do filme usar a luta dos dois personagens com os tubarões como principal efeito dramático, é sobretudo na ideia de ser abandonado no meio do oceano que existe o maior impacto. À medida que o filme se vai desenrolando, as personagens vão perdendo as forças e a esperança, sendo dominados pelos seus medos, conseguindo-se criar um clima de autêntico terror.
Ainda um aspecto horrível deste filme, é que foi baseado em factos verídicos. Em 1998, um casal americano, Tom e Eileen Lonergan desapareceram na Grande Barrerira de Coral após se terem afastado do grupo com que faziam mergulho.
Se puderem, vejam e digam-me da vossa justiça.
Termino dizendo que “Jaws” foi um filme que marcou a história do cinema e tem lugar cativo na minha lista de filmes de culto.
Tubarão gigante preso nas redes de pesqueiro
Tubarão-frade dá à costa algarvia e assusta banhistas
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4 Comentário(s):
De facto a imagem do bicho que aparece na primeira imagem é tudo menos de um animal inofensivo. Quero lá saber que não tem dentes ou que até ao dia em que provou carne só comeu "erva". À frente dele é que eu não queria estar...
Vi os «thrillers» Tubarão e JAWS e até achei piada. Mas não foram filmes que me marcaram.
Agora o "Open Water" marcou-me. Primeiro detestei o filme. Aliás detestei o fim do filme. Mas com o passar do tempo fiquei a gostar do filme. Fui ver este filme ao cinema numa sexta à noite com o meu colega de casa. Ele convenceu-me a ir ao cinema para relaxar de mais uma semana enfiados em casa a trabalhar. A única coisa que sabia era que se tratava de uma história verídica. O filme começa de maneira execelente com o casal protagonista "a fazer amor" na primeira noite de férias. Apesar dos actores serem desconhecidos (pelo menos para mim) fica-se logo a simpatizar com os dois (um bocadinho mais com ela). Logo na manhã do dia seguinte lá vão eles fazer mergulho e perdem-se. Bom é um filme com um crescendo de stress, em que progressivamente vamos tomando partido pelo casal, e que eu levei na boa pois sempre pensei que no fim o príncipe e a princesa viviam felizes para sempre. Isso é que me fez odiar o filme ao príncipio mas depois progressivamente começar a gostar. Se tivesse um fim de princesas se calhar já nem me lembrava do filme.
Eu não vi nenhum desses...nenhum mesmo Mr. Anderson, sim é verdade :-S... e confesso que não tenciono ver... há filmes que logo à partida eu excluo. Porquê ver um filme que vai trazer-me dores de cabeça, noites mal dormidas, pesadelos, medos, etc, durante uma carrada de tempo?? Naahhh... Nem pensar! Fico pelo excelente post do Mr. Anderson que já dá que pensar e imaginar o que será...
Tks Mr. Anderson. ;-)
Mr. Anderson, bom post!
Eu gosto de filmes de terror, suspense, trillers, acção... Tudo o que me faça saltar do sofá. Ao nosso cinéfilo de serviço gostava de perguntar uma coisa: este Tubarão é o mesmo que passou na televisão nos anos 80 e que era para ser visto com aqueles óculos muito engraçados de três dimensões?
:) eu já ouvi essa dos óculos várias vezes. Aliás, a memória diz-me que o filme para ser visto com os óculos era com uma espécie de monstro dos pântanos.
Sobre o tubarão, sinceramente, não me lembro de qualquer filme em 3D.
Por fim, aos pita-bloguers, sugiro que vejam este clássico doas anos 70. É a cores e vale mesmo a pena.
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