domingo, novembro 26, 2006

Parar para pensar...

Ontem não tive tempo, mas não queria deixar passar o dia em branco...
Ontem, dia 25 de Novembro (sábado), foi o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.

Sobre o tema poderia dizer-vos muitas coisas... Mas, vou deixar apenas alguns dados do panorama nacional e uma imagem...


Segundo os dados da Estrutura de Missão Contra a Violência Doméstica (EMCVD), em Portugal: 1 em cada 3 mulheres é vítima de violência. 5 pessoas são mortas todos os meses pelos seus companheiros. 1 em cada 4 homicídios é praticado sobre o cônjuge. 25% dos casais reconhece e existência de agressões no casamento.

Nos primeiros nove meses do ano de 2005, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) acompanhou 10038 casos de violência doméstica. No primeiro semestre de 2006, a APAV contabilizou um total de 3537 crimes, destes 88% referem-se a crimes de violência doméstica, onde se destacam os crimes de maus tratos psicológicos (33,2%) e físicos (31,7%). A maioria são crimes de carácter continuado e em 97% dos casos denunciados o autor do crime mantém relações de proximidade com a vítima.

Segundo os dados da Polícia de Segurança Pública (PSP) e da Guarda Nacional Republicana (GNR), no ano de 2005, em Portugal, foram apresentadas 18 mil queixas de violência doméstica: 9816 na PSP e 7995 na GNR. Nesse mesmo ano, a PSP efectuou 249 detenções por crime de maus tratos sobre o cônjuge, o que representa um aumento de 429% relativamente ao ano anterior.

Apesar destes números, estima-se que apenas 2% das vítimas de violência conjugal denunciem o caso às autoridades.

É este cenário grave e preocupante que levou em que, em Maio de 2006, a Amnistia Internacional destacasse pela primeira vez o fenómeno da violência doméstica em Portugal, como uma grave violação dos direitos humanos. Esse relatório da Amnistia Internacional refere que em 2005, 33 mulheres foram mortas no seio familiar, 29 pelo companheiro ou ex-companheiro e 4 por outros familiares. São 2,5% mais mortes do que em Espanha (70 homicídios) tendo em conta o número de habitantes, segundo os dados do Observatório das Mulheres Assassinadas.

Dá que pensar, não dá?

ps - queria colocar duas imagens, mas só consegui uma... A que está era a campanha de 2006, agora queria colocar-vos a nova... O fundo é vermelho e tem apenas: a violência doméstica é crime. Não se cale, denuncie.

4 Comentário(s):

At 11/26/2006 06:58:00 p.m., Blogger V andrade disse:

Muito bom este post!

Não tinha a noção de que os dados eram assim tão preocupantes. É muito estranho quando o perigo dorme mesmo ali ao lado.

 
At 11/26/2006 11:36:00 p.m., Blogger HRocha disse:

Maria o seu post (assim como o dia) é um pouco femininista. A omissão da violência doméstica sobre os homens é gritante. Então e o coitado do padeiro que estava a dormir no sofá e foi morto à machadada pela mulher não conta como violência doméstica?

 
At 11/27/2006 12:10:00 a.m., Anonymous Anónimo disse:

Caro "porra", é claro que a violência contra os homens conta como violência doméstica, tal como a das mulheres. Para além disso, a violência na conjugalidade é um problema do casal, da dinâmica relacional do casal.
Se há coisa com que não me identifico é com a perspectiva feminista, no entanto, os números são claros, 85% da violência na conjugalidade é exercida pelos homens sobre as mulheres. No entanto, tal como referi, estima-se que apenas 2% da violência na conjugalidade seja denunciada, no caso dos homens, esse valor deve ser ainda maior, são muito poucos os homens que se dirigem à APAV, GNR ou PSP para fazer uma queixa, mas existem... Eu tenho um caso de uma mulher agressora no meu estudo, sabias?

 
At 11/27/2006 10:43:00 a.m., Blogger HRocha disse:

Saber não sabia mas não me custa nada a acreditar Maria. Acredito também que elas devem "chegar-lhe a roupa ao pêlo" quase tanto quanto eles a elas. Estes têm é ainda mais vergonha de admitir tal facto. E então se formos para a violência psicológica deve haver mesmo um empate técnico. Excepto, claro, quando não raras vezes a luta é desigual e a ajuda da sogra dá origem a grandes malhas...:)

 

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