Varandas e marquises

Vivemos num país com uma temperatura fantástica. Temos as 4 estações do ano o que, em minha opinião é um privilégio. Verões quentes, Invernos temperados. Sol, sol, muito sol (até temos um semanário com esse nome…). Enfim, em questões meteorológicas, Portugal é o paraíso na terra.
Num país com um clima com estas características seria de esperar que as pessoas aproveitassem os espaços exteriores das casas. Infelizmente, como uma percentagem elevada de portugueses vive em apartamentos, o espaço exterior consiste apenas numa varanda, nalguns casos duas, quase sempre demasiado pequenas. Mas pelo menos é um bocadinho de “rua” que temos em casa… Dá para colocar umas plantas, por vezes até uma mesa para um pequeno-almoço mais descontraído. Enfim, dá para respirarmos!
Contudo, para uma elevada percentagem de portugueses, em minha opinião demasiado elevada, as varandas são apenas mais um metro quadrado para “aproveitar”. Frases do género “aproveitámos a varanda para fazer o escritório” ou então “estamos a pensar aproveitar a varanda para fazermos uma casa de arrumações” são recorrentes quando visitamos a casa de alguém. Ou seja, ou já têm ou esperam vir a ter a bela da marquise. Mas digam-me lá, sinceramente, aqui que ninguém nos ouve: há coisa pior que uma marquise??? Um espaço que nem é rua nem é casa, onde no verão o suor escorre em bica e no Inverno só se consegue lá estar de edredão??? Onde acabamos por colocar só entulho, porque cedo nos apercebemos que não serve para mais nada a não ser para guardar os livros da escola primária, as revistas e os jornais dos últimos anos, para pôr o “penico” do gato e a gaiola do periquito. E pior, um espaço que nos tira o único metro de quadrado de liberdade que ainda temos disponível nas nossas casas citadinas. Bem, e isto para não entrar nos aspectos estéticos…

2 Comentário(s):
Bem, efectivamente, uma marquise não é um elemento que prima pela estética. Há que reconhecê-lo.
Mas vamos fazer um enquadramento. Quando se "adquire" um apartamento, existe geralmente um objectivo pendente, que é, mudar para outro maior assim que possível. Porém, estes "sonhos" não podem ser sempre concretizados e o T2 mantêm-se durante muitos anos. Nessa situação, a marquise é sempre uma opção para tentar simular um T3.
Isso faz-me lembrar a casita onde vivi durante 23 anos. Um T1 para 3 pessoas, numa 1ª cave. Bem, o prédio era daqueles qe dum lado tinha 5 andares e do outro 10. Assim, a cave era equivalente ao 3º andar.
Assim, esta casita tinha marquise. Que se lixe o ar puro. Tirando o Verão, Inverno e dias de chuva (geralmente uma marquise não é estanque), existia assim um excelente lugar onde se podia brincar e ler. Posso dizer que esta marquise me traz excelentes recordações.
Termino com este ditado da construção civil:
"Aqueles que hoje desdenham as marquises, serão amanhã os primeiros a escolher a cor dos alumínios."
Bem... só tenho a dizer que eu não pertenço à percentagem elevada de portugueses que tem varanda, ou marquise :-( Ar puro só mesmo à janela, ou saindo ;-) que maravilha!!
Agora um pequeno reparo à questão de atulharmos/aproveitarmos os espaços para tudo e mais alguma coisa... também as pessoas guardam muita coisa! chiça! Eu confesso que tenho o defeito de deitar tudo para o lixo ou, melhor ainda, de dar... Não gosto de me sentir sufocada em casa, e com coisas que eu não uso e tenho quase 99% de certeza que não vou utilizar... por isso Rua. O pior mesmo é quando acontece o seguinte: "Oh Mori, não viste o auricular do meu telemóvel?" ou "ops... acho que deitei o meu Relatório de Estágio fora..." ou "Sim, eu empresto-te o meu cartão de leitor da Biblioteca. Tenho é que o procurar!" e depois não o encontro ;-)
Enfim... ninguém perfeito!
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